26/08/2012

Travessia Extrema a Lapinha da Serra: primeiro dia

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Fazer uma longa caminhada é algo que parece nos colocar mais perto de Deus. Pelo menos uma vez por ano gosto de fazer uma travessia para respirar o ar do alto de uma montanha desta nossa cordilheira do Espinhaço. A última que fiz foi em meados de junho, em companhia dos amigos Bernardo Puhler, Bernardo Mascarenhas, Marco Aurélio Martins e Rodrigo Mello. Saímos de Extrema, povoado de Congonhas do Norte, e fomos até Lapinha da Serra, que pertence a Santana do Riacho.
 
Para chegarmos cedo ao ponto de partida da caminhada, em 13 de junho, dormimos, exceto Rodrigo, em Conceição do Mato Dentro, na casa dos avôs da namorada (Renata Ferreira) de Bernardo Puhler: Tião Ferreira e Anísia. Na manhã seguinte chegou o integrante que faltava do grupo, juntamente com o veículo que nos levaria até Extrema: uma Land Rover conduzida pelo delegado aposentado Cleber Leite.
 
Já passava das 9h30 quando chegamos a Extrema; mochilão nas costas, câmera fotográfica em punho e pé na estrada. Desta vez o roteiro foi quase todo numa estrada desativada, conhecida como “Trans-amantes”. As história de como ela ganhou esse nome quem nos conta é Rodrigo: “Dizem que o prefeito de Congonhas do Norte, situada na vertente leste, tinha uma amante em Santana do Riacho, na vertente oeste. O prefeito de Santana do Riacho, por sua vez, possuía uma amante em Congonhas do Norte. Os dois políticos, então, decidiram abrir a estrada para encurtar o caminho e facilitar a visita a suas amantes”.
 
Hoje, a estrada está no meio de pelo menos duas Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) e o tráfego de veículos foi proibido, há porteiras com cadeados para impedir o acesso e até mesmo a passagem de pedestres deve ser comunicada aos proprietários do terreno. No nosso caso a autorização foi dada por Eugênio Marcos Goulart ao nosso amigo Puhler. Depois de meia hora de caminhada me deparei com a primeira placa da RPPN Vargem do Rio das Pedras, ela estava tombada próxima a uma pequena mata e só a vi porque saí da estrada para buscar um bom ângulo para registrar uma foto.
 
Depois de mais de uma hora e meia de caminhada nos deparamos com uma visão que ia nos acompanhar durante quase todos os três dias de aventura. Lá longe, na imensidão dos campos rupestres, estava o imponente complexo do pico do Breu, o segundo ponto culminante da Serra do Cipó, o primeiro é o pico dos Montes Claros, situado em solo itabirano. Após duas horas de caminhada, uma paradinha para um lanche. Depois, mais 30 minutos de andanças, deixamos nossas mochilas para sairmos um pouco da rota para chegarmos ao topo do canyon do Peixe Tolo (Conceição do Mato Dentro). Marco Aurélio preferiu ficar junto às mochilas para “economizar um pouco de perna” e tirar um cochilo. 
 
Como é bom tirar o peso das costas e ficar mais livre para fotografar, caminhar, fotografar.  Uma hora de caminhada depois estávamos nós lá com a magnífica visão do canyon do Peixe Tolo. Enquanto eu fotografava, fotografava, fotografava; Rodrigo animou descer um pouco mais para chegar mais próximo ao início do canyon. Puhler aproveitou o sinal de celular para postar no facebook a foto que acabara de tirar. O Mascarenhas aproveitou seu yoga para ter uma visão de cabeça pra baixo do Peixe Tolo. Ver o visto é lindo, mas é hora de pé na trilha novamente. Às 14h15, o reencontro com Marco Aurélio e com nosso peso, as mochilas. Ai, ai, ai.
 
Agora o objetivo era caminhar mais um pouco e encontrar um bom lugar para montar acampamento. Era 16h quando encontramos um pequeno curso d´água e um bom local para acampar. De longe eu avistei, como diz Rodrigo, o “capim rosinha do espinhaço” e resolvi atravessar o pequeno riacho e chegar lá perto prevendo ser um bom lugar para armar as barracas, meus companheiros optaram por continuar descendo mais um pouco.  E realmente eu estava certo: o local era ideal, com linda vista para o complexo do pico do Breu. Quando fui atrás da turma, eles já estavam montando as barracas, mas os convenci a mudarem para o local escolhido por mim. Amigavelmente Rodrigo me disse: “Se não for bom eu te mato”.
 
Eles adoraram. Ufa, sobrevivi. Barracas montadas, hora de encarar a água gelada para tirar o suor do corpo antes do sol se pôr.  Minutos depois de sair da água olhei para os meus dedos, e 2/3 deles estavam brancos e duros sem nenhuma circulação de sangue devido ao frio. O jeito foi ligar o fogareiro e ficar passando minhas mãos sobre o fogo até a circulação voltar, ainda deu tempo de utilizar meus dedos para fotografar, aproveitando a luz dos últimos raios solares.
 
O jantar ficou a cargo do Mascarenhas – estava ótimo. A vantagem de acampamento é isso, qualquer comida vira um banquete. Depois, o jeito foi esconder do frio dentro das barracas e curtir, como disse Puhler: “o cineminha de acampamento”. Traduzindo: ver as fotos tiradas durante o dia. Fiquem com algumas fotos e boas noites, semana que vem tem mais...
12 fotos
Travessia Extrema a Lapinha da Serra
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